Descrição: Escultura, em madeira dourada, estofada e policromada, representando a Virgem do Leite, esculpida de pé, frontal, a amamentar o Menino Jesus no seio direito, a quem olha. A Virgem, de cabeça coroada e coberta por um manto, azul e vermelho, na outra face, com decoração a dourado, que se agrupa sob os antebraços criando pregas. Sob o manto apresenta uma túnica comprida que lhe cobre os pés, bege com decoração floral a vermelho, verde e dourado. Um véu dourado envolve o decote da Virgem e cobre parte do menino Jesus. Com a mão direita segura o Menino Jesus que se apresenta nu, semideitado e a olhar a Virgem. A mão esquerda encontra-se encoberta sobre o véu de forma a ocultar a ponta dos dedos que tocam o seio, tapado pelo panejamento. O Menino Jesus que parece mamar diretamente nas vestes da Mãe, apresenta cabeço louro, com um resplendor, face rosada e a mão direita pousada sobre o seu ventre.
Assenta sobre uma base retangular, plana, com os cantos cortados, em tom dourado.
Obs.: Ao contrário das imagens da Virgem do Leite medievais, onde a ostentação do seio de Maria se faz de forma explícita, as Virgens da aleitação dos séculos XVII e XVIII tendem para uma descrição na representação da cena intimista. A Virgem do Leite da coleção Telo de Morais é exemplo dessa circunspeção na forma de figurar a Mãe de Deus alimentando-O.
O seio da Virgem mal se adivinha sob os panejamentos e o Menino Jesus parece mamar diretamente nas vestes da Mãe. Mesmo a mão que a Virgem coloca junto ao peito para ajudar
a aleitação é disfarçada sob a camisa entreaberta, de forma a ocultar as pontas dos dedos que tocam o seio. A vontade de transformar esta cena num momento tranquilo, despido de qualquer indício de sensualidade, fica expressa na própria figuração da face de Maria quieta e alheia. Esta contenção torna-se eloquente na forma como toda a parte superior da escultura é talhada em feição muito mais serena, contrastando com os panejamentos da parte inferior da peça. Aos movimentos circulares do manto da Virgem que lhe envolvem cabeça e braços contrapõem-se o dinamismo anguloso da parte de baixo das vestes da figura, em gosto típico da escultura portuguesa de meados do século XVIII.
Origem/Historial: Peça adquirida, pelo doador, a Dinora Teles Gonçalves – Patine, em Coimbra.
Incorporação: Casal de Telo de Morais
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
PIMENTEL, António Filipe, ed. lit. - "Telo de Morais - Mobiliário, Escultura, Pratas, Cerâmica e outras peças- Coleção". Coimbra: Câmara Municipal, 2016 (Catálogo vol. II) ISBN 978-989-8039-37-8