Descrição: Bacia com caldeira pouco profunda, aba direita e oblíqua e pé inclinado para o interior, de porcelana branca revestida de vidrado azulado, à exceção do bordo e da extremidade do pé, onde a paragem é assinalada por duas linhas alaranjadas.
A decoração, a azul profundo sob o vidrado, é profusa tanto no interior como no exterior. No interior, no fundo, o eixo da composição é marcado por vaso com ramos de peónias, repousando sobre mesa de apoio, sobrevoando por grande borboleta e encimado, sobre a direita, por pesada e rebuscada nuvem com cauda ondulante.
Tem lateralmente, em plano mais recuado, dois pequenos vasos com rochedo perfurado, crisântemo e tronco florido, que se elevam de extensão azul com plantas de lótus e, no reverso da aba, por símbolos de bom augúrio flamejantes: dois dos "Oito objetos Preciosos", a pedra sonora e a folha de Artemísia; dois dos "Oito Emblemas Budistas" e o lótus; e atributos de imortais taoistas: a flauta, as castanhetas, o rolo de pintura e o leque, fechado e aberto. Na base, dentro de duplo círculo, a marca apócrifa de Chenghua em seis caracteres dispostos em duas colunas de três caracteres: da Ming Chenghua nian zhi (feito no período Chenghua da grande dinastia Ming), mal caligrafada. Ainda que a decoração do interior da peça apontar para uma época mais tardia: a formação do vaso central inspirada num protótipo metálico, a sua decoração recorre a motivos da cerâmica Kraak, bem como a nuvem também presente neste tipo de porcelana.
Origem/Historial: peça adquirida pelo casal Telo de Morais, a Jorge Welsh, Londres, Lisboa
Incorporação: casal Telo de Morais
Centro de Fabrico: China
Bibliografia
PIMENTEL, António Filipe, ed. lit. - "Telo de Morais - Mobiliário, Escultura, Pratas, Cerâmica e outras peças- Coleção". Coimbra: Câmara Municipal, 2016 (Catálogo vol. II) ISBN 978-989-8039-37-8